“Eu não amava que botassem data na minha existência. A gente usava mais era encher o tempo. Nossa data maior era o quando. O quando mandava em nós. A gente era o que quisesse ser só usando esse advérbio. Assim, por exemplo: tem hora que eu sou quando uma árvore e podia apreciar melhor os passarinhos. Ou tem hora que eu sou quando uma pedra. E sendo uma pedra eu posso conviver com os lagartos e os musgos. Assim: tem hora eu sou quando um rio. E as garças me beijam e me abençoam. Essa era uma teoria que a gente inventava nas tardes. Hoje eu estou quando infante. Eu resolvi voltar quando infante por um gosto de voltar. Como quem aprecia de ir às origens de uma coisa ou de um ser. Então agora eu estou quando infante. Agora nossos irmãos, nosso pai, nossa mãe e todos moramos no rancho de palha perto de uma aguada. O rancho não tinha frente nem fundo. O mato chegava perto, quase roçava nas palhas. A mãe cozinhava, lavava e costurava para nós.”
Memórias inventadas: a segunda infância, de Manoel de Barros
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O meu olhar

‘Eu não tenho filosofia: tenho sentidos…
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar …
Amar é a eterna inocência,
E a única inocência não pensar…’
Trecho final de O Meu Olhar – Alberto Caeiro
Janela
Composição: Marcelo Camelo
Onde vai
Onde vai
Onde vem, vem, vem
É o trem
E eu aqui
Nessa janela, nessa janela
Aqui vai o trem, aqui vem a curva
O sol a se pôr
Vai, vai, vai
Volta janela.
O ron-ron do gatinho
O gato é uma maquininha
que a natureza inventou;
tem pêlo, bigode, unhas
e dentro tem um motor.
Mas um motor diferente
desses que tem nos bonecos
porque o motor do gato
não é um motor elétrico.
É um motor afetivo
que bate em seu coração
por isso faz ron-ron
para mostrar gratidão.
No passado se dizia
que esse ron-ron tão doce
era causa de alegria
pra quem sofria de tosse.
Tudo bobagem, despeito,
calúnias contra o bichinho:
esse ron-ron em seu peito
não é doença – é carinho.
Ferreira Gullar
Poema do livro
“Um Gato Chamado Gatinho”
OS PAPÉIS DE MARIA
Maria, e o coração de papel,
Voou num avião-dobradura?
Desculpe Maria, coração o quê?
Ah sim, o coração no papel.
A celulose pulsa sobre a mesa
E os olhos brilham sobre o branco.
Maria, amanse o papel-touro,
Este é domável, basta carinho.
O afago da escrita acalma
A besta-fera despojada sob as letras.
Luiz F. Mirabel Priamo
Esse poeminha eu ganhei do meu amigo Mirabel!
Muito, muito agradei! hahaha
Blog dele: http://www.otarioinvoluntario.blogspot.com/
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Suposição.
Se eu alimentasse os meus demônios com seus beijos
Se a minha arte fosse tudo o que eu vejo
E se eu fosse o amor da sua vida?
Se o meu céu fosse a morada do seu crer
Se a minha fome saciasse com poder
E se eu fosse o que quiser da vida?
Se fosse não teria se
Se fosse não seria ter
Se o que é meu fosse seu
Se o que é seu fosse nosso
E se eu fizesse um mal negocio?
Se a tua boca fosse o meu remédio
Se a minha voz fosse a sua salvação
E se eu pudesse te provar que sim?
E se eu pudesse te provar que não?
Se eu me alimentasse dos beijos dos seus demônios
Se tudo o que eu vejo fosse minha arte
E se eu fosse a vida do seu amor?
Se o seu crer fosse a morada do meu céu
Se o meu poder saciasse a sua fome
E se a vida fosse o que eu quisesse ser?
Se não fosse teria se
Se não fosse seria ter
Se o que é seu fosse meu
Se o que é nosso fosse seu
E se eu fizesse um bom negocio?
Se o teu remédio fosse a minha boca
Se a minha salvação fosse a tua voz
E se eu pudesse te provar que sim?
E se eu pudesse te provar que não?
por Ivan Cunha – http://nasuaesquina.blog.com
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‘A preguiça é a mãe do progresso. Se o homem não tivesse preguiça de caminhar, não teria inventado a roda.’
Mário Quintana






